Um bom programa de governo para a segurança pública será decisivo nas eleições de 2010. A área é mal avaliada desde o início do mandato do presidente Luiz Inacio Lula da Silva e preocupa candidatos ao governo estadual e federal. De acordo com a pesquisa CNI/Ibope, divulgada esta semana, 56% dos entrevistados reprovam a atuação do Executivo nesse setor. Mesmo com evolução positiva, o índice das ações de combate à violência ainda é de -14. Em 2006, chegou a -47. Em outros três temas, o governo tomou bomba: juros, impostos e saúde.
Para o professor Ignácio Cano, do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o resultado da pesquisa comprova que o impacto na área de segurança não é imediato. “O governo investe num programa e, se for bom, daqui uns anos vamos perceber a melhora. É muito mais incerto”, explica, completando que na área de combate à pobreza, por exemplo, uma das mais bem avaliadas pelos entrevistados, a percepção é mais rápida e prática: “o Bolsa-Família melhora a renda”.
De acordo com o especialista, o governo Lula só começou a investir nesta área recentemente. Durante a campanha em 2002 e o primeiro mandato, temia-se o assunto, que era considerado delicado e de grande risco polêmico. Em 2007, o Ministério da Justiça criou o Programa Nacional de Segurança e Cidadania (Pronasci) que, para Cano, foi o primeiro sinal de que o governo vai investir significativamente na área. Para 2010, o programa deve receber R$ 1,4 bilhão. Os investimentos só perdem para despesas com apoio administrativo (R$ 4,2 milhões) e previdência e inativos (R$ 1,9 milhão). O orçamento do programa é três vezes maior do que será gasto com proteção de povos indígenas e seis vezes mais do que a previsão de investimentos na Polícia Federal. O valor do orçamento total do ministério é de R$ 9,5 bilhões.
“Historicamente, a segurança era competência do governo estadual. Agora, temos uma consciência de que precisa ser um sistema de governo. Com este novo olhar, as prefeituras e a União ganharam mais espaço”, diz, acreditando que a população vai passar a cobrar mais ações de repressão para conter os altos índices de violência.
Pontos positivos A pesquisa mostra que houve crescimento da aprovação da agenda econômica: combate à inflação e ao desemprego e política monetária. Nesses três casos, segundo a CNI/Ibope, observa-se movimento positivo. Tanto no combate ao desemprego quanto na política de preços, 55% dos brasileiros aprovam o desempenho do governo Lula. O meio ambiente e a educação também foram bem avaliados.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre 11 e 14 de setembro em 142 municípios do país. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%.
Pesquisa de opinião
Onde o governo vai bem
Combate à fome e à pobreza
Educação
Meio ambiente
Onde o governo vai mal
Segurança pública
Taxa de juros
Saúde
Impostos
Sobe e desce
Combate à inflação
Desemprego
Fonte: CNI/Ibope






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