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jun 18

VIOLÊNCIA JUVENIL. CRIANÇA – HERÓI – VILÃO – Por Cláudio Avelar – Tribuna do Brasil

  • 18 de junho de 2009
  • Notícias

Defendemos regularmente a constante e marcante presença do Estado como fiel da balança e último regulador das relações sociais, porém, infelizmente, sabemos que acontece exatamente o oposto e como reflexo natural, violência, crueldade e mais crime.  Tendência mundial que marca os países que abandonam sua gente a própria sorte sem, sequer, tentar impedir o crescimento da criminalidade. O fato é que não adianta apenas ficar reclamando, mas sim, arregaçar as mangas e correr atrás das respostas.

Já que o Estado não se faz presente, ficando grande espaço na conta do crime organizado, quem deve se organizar são as vítimas, ou seja, os cidadãos. Todos já ouvimos as expressões, sociedade civil ou sociedade organizada, então os grupos unidos vão devagar formando outros grupos, participando de eventos organizados por instituições não governamentais e um sem número de entidades que buscam ocupar o espaço deixado pelo poder público. De modo geral, e com muita boa vontade, esses grupos conseguem expressivos resultados.

Inúmeros são os exemplos de situações inusitadas que por conta da violência acabam gerando mais violência ainda e fazendo girar a estatística do crime. Vamos comentar algumas barbaridades que todos conhecem, mas que pouco se fala.

Crianças violentas figuram diariamente nos noticiários por todo o Brasil e obviamente na Capital Federal não se faz nenhuma exceção. Além da costumeira participação de menores em quadrilhas, que até os usam para legitimar ações e por conta da falta de punição, constantemente sabemos de casos de violência onde jovens matam, roubam e cometem uma série de crimes violentos sem motivo aparente, inclusive dentro de escolas.

No caso das quadrilhas e gangues, que possuem menores em seus quadros, nota-se alguns fatores básicos: famílias desestruturadas, sem participação religiosa, baixo rendimento escolar, pouca interação social (esporte, lazer e cultura). Motivos precedentes que qualificam os jovens para a violência desmedida e sem motivo aparente.

Constatamos então, que a violência juvenil se origina no mesmo momento e basicamente pelos mesmos fatores, seja no caso dos grupos criminosos, ou seja, na simples rebeldia individual na quadra ou na escola, devendo ainda, ser ressaltado que esses últimos se unem a outros com as mesmas características e problemática demonstrada, fazendo então, novos grupos que se unem pela desgraça.

Uma criança sozinha faz um dia uma besteirinha, no outro dia contando vantagem, faz historia narrando aos amiguinhos suas proezas e que vão aumentando de acordo com as novas narrativas e outras e outras que são contadas por outros e então, de repente, um belo dia resolvem se juntar para fazer grandes besteiras. No início por pura busca pela adrenalina e depois sabe-se lá por que.

Esse ciclo natural da juventude sai da normalidade quando entra na liberdade alheia, gerando medo e sofrimento por causa da violência inerente. Não deixamos de registrar a normal rebeldia aborrecente, nem tampouco, a adrenalina sempre tão insuficiente para satisfazer os egos e vontades desse grupo, além da natural explosão de hormônios, que em ebulição, motivam a incansável busca pelo prazer desmedido.

Nesse momento da vida, acontece muita sensação, muita ansiedade, muita procura e pouca resposta. Dúvidas sempre presentes nos poucos momentos de diálogo familiar, que quando existem, muitas vezes, são acompanhadas de indisciplina e carência afetiva de todos os lados.

Pais que reclamam dos filhos por conta de suas atitudes, manias e teimosias. Filhos que reclamam dos pais, pela intolerância, falta de tempo, falta de carinho e negativas. Preceitos que geram pré-conceitos que geram conflitos, que geram revolta, que geram violência.

Estamos concluindo, a partir dessas assertivas, que o balão prestes a explodir precisa de alguma interferência positiva, pois a falta de harmonia, pequena em casa a princípio, vai virando outras coisas piores e daí em diante sabe-se lá aonde vai parar.

Quem vai interferir antes que a explosão cause mais dor e sofrimento? O Governo Federal, o GDF, os Deputados? Quem poderá nos ajudar? Quem poderá evitar que crianças se transformem em adultos antes do tempo e comecem, por conta dessa precocidade desastrosa, colocar para fora os traumas de suas curtas vidas, resultando em grandes marcas quase sempre prejudiciais à sociedade.

A polícia somente consegue chegar depois que o crime começou a ocorrer, portanto, não previne. A família não consegue se comunicar, por falta de princípios ou cultura ou por pura falta de tempo. A igreja nem sempre alcança a comunidade, o que é uma pena, pois sabemos que os preceitos religiosos representam sempre grande apoio.        As escolas desestruturadas com professores desmotivados não conseguem se comunicar e daí por diante.

Obviamente, falta o implemento de políticas públicas que previnam o crime, antecedendo sua ocorrência, definindo estratégias de trabalho social, de forma a motivar o jovem com tarefas prazerosas que ocupem o tempo vago substituindo o ócio pela inclusão social e a vagabundagem pela atividade recreativa. Atividades que unam os jovens de forma positiva, fazendo ainda, com que os maiores malfeitores não consigam nutrir suas organizações com aquele sangue novo e rebelde.

Esperar que entidades privadas continuem fazendo o papel do estado é esperar que Papai Noel traga de presente de natal o fim da criminalidade. É claro que todos devemos colaborar, mas ajudar é diferente de fazer sozinho.

Por conta dessa sabida ausência do poder público, além da falta de credibilidade nas instituições públicas, apareceram as ONGs e diversas outras organizações fazendo de tudo para ocupar o espaço que está em branco. Devemos nos unir em atitude, sugestões e colaboração para nossas crianças viverem melhor, mas o servidor público qualificado deve aparecer trazendo acalento às comunidades abandonadas, que nas condições em que se encontram são o prato predileto para os aproveitadores, milicianos, traficantes e outros do gênero.

Aliás, esses acabam se passando por salvadores, já que não existe segurança, hospitais, escolas e farmácias populares disponíveis aos menos favorecidos. Eles chegam na vida das comunidades como salvadores e ganham credibilidade, resolvem questões e decidem como juízes, entre a vida e a morte, que é o resultado de sua interferência.

Fica aqui a triste contestação de que Brasília aparece no cenário do crime, dividindo espaço na mídia com manchetes violentas, dignas das piores cidades do mundo, mas não era para ser assim, pois na capital do país, os esforços deveriam ser mais direcionados a resolução dos problemas, sem objetivo político, que não o de resolver realmente os problemas.

(*) Cláudio Avelar é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, bacharel em Direito e Administração, especialista em Direito Público.

 

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