O presidente em exercício da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Cabo Patrício (PT), assumiu o cargo cinco dias depois de a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, colocar de pernas para o ar a política na capital do país. Desde então, a sede do Poder Legislativo foi invadida duas vezes, manifestantes foram agredidos, o governador José Roberto Arruda (sem partido) se desfiliou do DEM para não ser expulso.
O escândalo provocou uma enxurrada de ações. A Câmara recebeu, até agora, 15 pedidos de impeachment contra o governador, além de processos por quebra de decoro contra parlamentares envolvidos no mensalão do Arruda. O próprio Cabo Patrício responde a um deles, por ser o autor de um projeto que beneficia a empresa do filho do presidente licenciado da CLDF, Leonardo Prudente (DEM), na coleta de lixo hospitalar.
Nesta entrevista ao Congresso em Foco, realizada em seu gabinete na manhã de ontem, o petista mostrava-se com poucas esperanças sobre o processo político na Câmara. Patrício não acredita que o impeachment terá prosseguimento dentro da Casa, já que a base aliada ao governador deve enterrar os pedidos dentro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Colegiado que, de acordo com a Procuradoria da Câmara, não tem competência para analisar a admissibilidade dos processos por crime de responsabilidade.
Ele divide a responsabilidade das atuais denúncias com os eleitores do Distrito Federal. Afirma que a composição da Câmara é um reflexo da sociedade. E acredita que a imagem do poder Legislativo, que sempre esteve em baixa, está muito arranhada. Mesmo assim, diz que o discurso de divisão de responsabilidades não é conformista. Patrício comenta que é necessário analisar bem os candidatos antes de votar. – Não basta mudar a composição – afirmou.
Para o petista, Arruda repete as práticas do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), dono de quatro mandatos como chefe do Executivo local. – A prática do governo Arruda é uma continuidade da prática do governo Roriz – afirmou.
Uma investigação séria, na visão do deputado, começa pelo afastamento do governador e seu vice, Paulo Octávio (DEM). – Se você quer investigar a corrupção no DF, só tem duas pessoas que devem ser afastadas: o governador e o vice – apontou. – É uma mudança de postura. E para mudar você tem que tirar o chefe da quadrilha. Não é o chefe que manda? – questionou.






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