Processos seletivos falhos, burocracia excessiva e falta de conexão com um resultado concreto do serviço realizado produzem insatisfação e sentimento de derrota nos funcionários públicos federais LUCIANO PIRES Da EQUIPE DO CORREIO
Ao mesmo tempo em que discute melhorias gerenciais e traça metas para profissionalizar a máquina pública, o Estado convive com bolhas de insatisfação espalhadas pelo funcionalismo. Esse fenômeno não é novo, mas com o avanço no número de contratações ganha mais evidência. A raiz do problema, alertam os especialistas, está na forma de seleção e na baixa capacidade que a burocracia tem de transferir valor às tarefas executadas pelo servidor. Como mostrou o Correio na edição de ontem, o nível de descontentamento é grande na Polícia Federal. Na pesquisa inédita realizada por meio da rede interna de computadores da PF, 57,8% dos delegados, peritos, papiloscopistas, escrivães, agentes e pessoal administrativo responderam que pretendem deixar a carreira na primeira oportunidade que tiverem. Por ser uma espécie de Olimpo do setor público, onde bons salários e status são marcas registradas, a taxa surpreende. Wanderley Codo, professor de psicologia social e do trabalho da Universidade de Brasília, explica que a frustração e o sentimento de derrota dos servidores estão associados ao fato de que raramente o esforço diário se traduz em algo concreto. Diferentemente do que ocorre na iniciativa privada, os processos e o excesso de regras fazem com que o servidor se sinta “apenas mais um”. “Há no setor público grande ausência de vínculo com o produto. Às vezes, o salário e outras queixas viram apenas desculpa, uma forma de resumir as coisas para justificar outras insatisfações”, completa. Reivindicações Os advogados públicos são um exemplo disso. Responsáveis por defender os interesses da União, ingressam com contracheque de R$ 14 mil. “As mudanças na remuneração reduziram o índice de evasão”, reconhece Rogério Vieira Rodrigues, presidente da União dos Advogados Públicos Federais do Brasil (Unafe). Mas como dinheiro não é tudo, há reivindicações por melhores condições de trabalho e contra a fórmula de progressão na carreira introduzida recentemente. |
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