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abr 30

PRIMEIRO CORPO JÁ FOI IDENTIFICADO – Correio Braziliense

  • 30 de abril de 2010
  • Notícias

PF libera o resultado do exame de DNA de um dos seis corpos encontrados na Fazenda Buracão e confirma tratar-se de um dos garotos. Federais criticam trabalho da Polícia Civil de Goiás

Naira Trindade

A Polícia Federal identificou um dos seis corpos encontrados na Fazenda Buracão, em Luziânia município goiano distante 66km de Brasília. As outras cinco ossadas, enterradas em covas rasas pelo assassino confesso Ademar Jesus da Silva, 40 anos, devem passar por contraprovas de exames de identificação por DNA ósseo e podem ser identificadas ainda hoje. O material é examinado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF. O resultado confirma que os restos mortais são de um dos adolescentes desaparecidos, mas o nome da vítima ainda não foi divulgado. Agora, as informações da perícia devem ser encaminhadas para o Instituto de Medicina Legal de Luziânia para que possa ser feita a liberação do corpo.

Dezenove dias após os seis corpos terem sido recolhidos, as mães dos jovens aguardam ansiosas pelo sepultamento dos filhos. Apoiadas pela Ordem dos Advogados do Brasil, elas estiveram na manhã de ontem no Instituto de Medicina Legal, onde protocolaram um ofício pedindo mais empenho e agilidade na identificação. “Não suporto mais. Foram mais de três meses de espera e agora quase 20 dias de ansiedade. Queremos enterrar nossos filhos e pôr um fim nesse tormento”, desabafa Sônia Vieira Azevedo Lima, 45 anos, mãe de Paulo Victor de Azevedo Lima, 16. Segundo ela, as covas que devem receber os corpos dos garotos já estão prontas e os caixões, reservados.

Logo que o assassino apontou o local onde havia enterrado as vítimas, os peritos afirmaram que o resultado dos exames sairia em 13 dias. Ontem, por telefone, o delegado responsável Hellen Weslley Almeida Soares disse que a Polícia Federal não vai comentar o assunto e que “no momento oportuno” os laudos serão enviados aos responsáveis e a Polícia Civil de Goiás. Já a assessoria da Polícia Federal afirmou que o resultado dos testes deve ser feito pelo delegado Hellen Wesley ao promotor de Luziânia, Ricardo Rangel.

PF deixa caso

A excessiva exposição de Ademar Jesus da Silva feita pela Polícia Civil de Goiás quando da prisão do pedreiro motivou a Polícia Federal a enviar uma carta ao Ministério Público de Luziânia comunicando o fim da parceria nas investigações sobre o caso. No documento de quatro laudas, a PF explicou que discordava das medidas adotadas pela equipe goiana desde o momento da prisão do acusado. A carta foi entregue ao MP em 16 de abril, dois dias antes do acusado ser encontrado morto em uma cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos, em Goiânia.

No comunicado, o delegado de combate ao crime organizado da PF, Hellen Wesley Almeida Soares, critica o fato de terem sido disponibilizadas imagens de operações policiais em programas de TV, de ter sido permitido que o acusado respondesse a questionamentos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia antes de os delegados responsáveis pelo caso colherem depoimentos formais. A nomeação da delegada Renata Schein para conduzir os depoimentos também foi classificada como uma falha, uma vez que Renata não acompanhou os três meses de investigações sobre os desaparecimentos. Hellen Wesley relata que “diante das medidas”, a PF não poderia mais continuar no caso.

A participação dos policiais federais nas investigações foi uma vitória conquistada pelas mães dos jovens em 9 de fevereiro, quando — depois de muita insistência — conseguiram convencer o ministro da Justiça, à época Tarso Genro, a solicitar que o então secretário de Segurança Pública, Ernesto Roller, permitisse a entrada da Polícia Federal no caso, que se arrastava sem solução desde 30 de dezembro de 2009, data em que Diego Alves, 13 anos, saiu de casa pela manhã para ir a uma oficina e nunca mais voltou.

Não suporto mais. Foram mais de três meses de espera e agora quase 20 dias de ansiedade. Queremos enterrar nossos filhos. As covas já estão prontas. Os caixões, reservados. Queremos pôr um fim nesse tormento” Sônia Vieira Azevedo Lima, mãe de Paulo Victor de Azevedo Lima

Memória

Repercussão nacional

Um assassinato em série envolvendo seis adolescentes de 13 a 19 anos de Luziânia comoveu o país. O mistério começou em 30 de dezembro de 2009, quando Diego Alves, 13 anos, saiu de casa pela manhã para ir a uma oficina mecânica e nunca mais voltou. Seis dias depois, Paulo Victor Vieira Lima, 16 anos, desapareceu. Na sequência, a família de George Rabelo dos Santos, 17 anos, também passou a buscar por notícias do jovem. O mesmo aconteceu com Divino Luiz Lopes da Silva, 16 anos, Flávio Augusto Fernandes dos Santos, 14, e Márcio Luiz Souza Lopes, 19. Os desaparecimentos passaram a intrigar os moradores da cidade. Três meses depois do primeiro sumiço, as Polícias Federal e Civil de Goiás chegaram ao pedreiro Ademar de Jesus Silva, que confessou ter matado os garotos. Antes que o caso fosse completamente desvendado, porém, o homem foi encontrado morto em uma cela do Denarc. O inquérito continua aberto até que se apure a morte do pedreiro.

 

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