Órgão desenvolve sistema para combater ações de hackers
Vasconcelo Quadros
Uma parceria entre a Polícia Federal e a Caixa Econômica Federal vai reduzir as fraudes com clonagem de cartões eletrônicos e pela internet e poderá se transformar num grande alívio para todo o sistema financeiro, que atualmente perde algo em torno de R$ 500 milhões por ano por causa da ação de hackers em contas bancárias. Alegando questões de segurança, a Caixa não revela os prejuízos, mas o banco de dados da PF mostra que a instituição financeira é um dos grandes alvos dos golpistas: dela se originam 50.050 dos 90 mil inquéritos em andamento em todo o país para apurar crimes financeiros.
Das investigações abertas a pedido da instituição, 46% ou 23.023 inquéritos estão relacionados a desvios das contas de correntistas através da ação de hackers em contas de correntistas ou por saques de cartões eletrônicos clonados. Levantamento baseado em registros de ocorrências demonstra que esse tipo de crime vem crescendo entre 20% a 30% ao ano, assustando o mercado financeiro.
O convênio assinado entre as duas instituições vai permitir que a Caixa registre numa central, em Brasília, as informações sobre ocorrências que pipocam em todo o país e que eram tratadas de forma isolada e estanque, como se o desvio de uma conta no Sul do país nada tivesse a ver com a ação de um hacker na região Norte. Em ações praticadas por uma mesma quadrilha, a Polícia se via obrigada a abrir, em muitos casos, mais de mil inquéritos. A partir de agora os dados serão repassados ao Centro Integrado de Inteligência Policial (Cintepol), que fará a análise e o cruzamento de dados através de um software que norteará as investigações.
– Vamos reduzir em 90% os inquéritos sobre as fraudes – aposta o delegado Carlos Eduardo Sobral, da Unidade de Repressão aos Crimes Cibernéticos da PF em Brasília.
São Paulo e Rio de Janeiro são os campeões em ocorrências e inquéritos abertos no ano passado, com 17 mil e 10 mil, respectivamente. Com redução da burocracia, a Polícia economizara tempo, material e policiais para se dedicar àquilo que mais interessa na repressão às fraudes: – Nosso foco passa a ser o mapeamento das quadrilhas – afirma o delegado Willian Morad, responsável pelo setor.
Especialização
Segundo a Polícia, são cerca de 200 as quadrilhas que se especializaram em fraudes bancárias através de cartões eletrônicos e acesso às contas pela internet – crime facilitado pela fragilidade do sistema bancário e a ingenuidade dos correntistas. No topo delas há sempre a figura do programador, o criador de softwares destinados a quebrar sigilos bancários invadindo a rede de computadores ou os dados do correntista em caixas eletrônicos.
A Caixa não é o único alvo dos hackers. Eles invadem toda a rede bancária, preferencialmente as instituições com maior número de correntista. Normalmente a fraude tem origem num determinada cidade, mas o dinheiro desviado é pulverizado e repassado para várias outras contas em diferentes estados para dificultar o rastreamento. Num dos casos investigados pela Polícia, a origem do golpe era uma agência da Caixa em Brasília e o inquérito da PF havia sido aberto em Chui, no Rio Grande do Sul.
O novo programa vai sistematizar os dados para racionalizar as investigações. A Polícia Federal estima que ao reduzir o número de inquéritos e diminuir o prejuízo da Caixa, essa experiência possa ser estendida, através de convênios com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a toda a rede bancária privada e estatal. Chamada de Projeto Tentáculos, a operação começará com a sistematização de 2 mil pedidos de abertura de inquéritos na superintendência da PF






Comments are closed.